Dor de uma Ilusão.
Avesso? Hoje é só o que vejo .
Lembro do céu e reverencio o
que está por trás, o que desconheço.
E o mar? Vejo além das
aparências.
Não consigo me voltar para outra
memória que não seja essa: a que me retira do eixo e acaba com minha inércia.
Assim é o infinito, universo
amigo... ele me acaricia por completo!
É uma prisão sem amarras...uma
gaiola chamada planeta.
Isso vai acabar?
Talvez amanhã quando olhar
para o mar e só ver o que a visão limitada consegue alcançar.
Quem sabe no amanhecer quando o sol trouxer minha rotina.
Quando pentear o cabelo, e
isso for mais relevante que trançar os
fios da existência.
Por onde caminhar esquecerei
as flores nos canteiros, do sol só lembrarei do calor que sufoca ao meio-dia de
uma segunda-feira.
Da janela vejo paisagens que
se deformam, não consigo mais apreciar a beleza do que se mostra.
Passos sem rumo,
circunferência da vida... Prendem os pássaros e nem sabem que estamos na mesma!
Só sentirei o arranhão que
sangrou e tudo ficou pequeno.
O sono que chega é a morte
passageira.
O que acontece lá fora enquanto sonho com as estrelas?
O que acontece lá fora enquanto sonho com as estrelas?
A noite prossegue, é isso que
temos.
Tenho saudades do sono profundo de quando criança, da inocência de não ver a estrada tão longa.
Tenho saudades do sono profundo de quando criança, da inocência de não ver a estrada tão longa.
Que percurso é esse que o
tempo não cura?
Que a gente nunca chega?
Que a gente nunca chega?
Angústia de ser humano é não ter como saber o que era antes de
ser.
Mundo já pronto que não nos
acolhe, somos lançados num poço profundo.
Quantos já passaram aqui e
foram presos também, se hoje estão libertos, isso não sei.
Uns dizem : moram no céu,
outros no breu.
Autora: Sharline Dionízio
