Sejam bem vindos!!

























quinta-feira, 15 de março de 2012

~~Confluência~~



Se...

O que seria do poeta 
se a palavra não existisse?
Será que haveria algum
outro modo de fazer poesia?
Seu olhar seria A...
Seu sorriso a letra M...
Seu andar seria o O...
Seu falar seria R....
Assim... o poema se faria.









Solidão

Queria que o meu desalento
Em alegria transformasse
E então, tomada de tal agitação
Pudesse enfim, sentir certo alívio.
Não só de ser alguém
Mas também de não ter porque ser
E para quem acontecer
A não ser a desventura de viver 
Apenas de ilusão.








Fluxo

O que muda?
Será o dia? Será a vida?
Entre tantos dias...
Tanto Sol, tanta Lua
Tanto amanhecer e o crepuscular
Anúncio do anoitecer.

A vida continua vida
E o dia que também vem a ser.
Vida de ontem, ainda é vida hoje
E não tem porque não ser.
O que muda então?
Nossa maneira de ver.

Autora: Sharline Dionízio




domingo, 11 de março de 2012

-Percurso-

Quis a vida que na mesma estação te encontrasse. 
Dia chuvoso. Olhei para os lados, mas não sabia que lá você estava.
 Só depois percebi que havia te encontrado, ainda que não procurasse.
 Tanta gente, tantas bagagens, tanto cansaço...
   Inevitavelmente entramos no mesmo vagão. 
Sentamos lado a lado.
 A expectativa que tinha era de um longo percurso, queria que para sempre ficasse.
 Mas o trem parava em cada estação e mais gente entrava e outras tantas saia.
 E sempre permanecias, embora me apavorasse com a idéia da partida.
   O apito soava e a alma sorria.
 Sua conversa tinha tom de música celeste.
 A viagem até tornou-se mais leve. 
As dificuldades do caminho não eram maiores que minha vontade de prosseguir. 
Pensei solitariamente que a vida podia ser assim: Quem chega não pode mais ir.
 No entanto, à medida que o tempo passa e o trem vai prosseguindo, não se pode evitar o destino dos que cruzam nosso caminho.
    Não pude evitar sua partida.
 Melhor sair para outra estação da vida, em que um dia ainda posso tocá-lo, que sair para sempre das minhas vistas. 
Seu adeus foi  rápido, lúgubre  e como se já estivesse preparado antes mesmo de ter me conhecido. Alguém certamente escreveu... mas não me colocou para sempre com você...
Esqueceu!!!

Autora: Sharline Dionízio


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

===)Há vida em outro mundo...além do meu!!(===

 


O cotidiano nos cega para realidades óbvias em nossas vidas. São invisíveis que estão muito perto de nós. Sim! Pessoas que não nos dispomos a enxergar. Não valem muito, são optativas, pelo simples fato de serem inúteis para nós e, por isso deixam de existir. Ou mesmo que sejam úteis, o egoísmo, que nos permite pensar apenas em nós mesmos, e deixar de lado as necessidades alheias, nos impede de ao menos, notar o ser humano que mora ao lado.
  Deve ser por esse motivo que nos surpreendemos tanto com a bondade alheia, pois, não estamos acostumados com a comiseração de seres tão civilizados e educados como o homem!
    Tantas razões para fechar os olhos! Tantos motivos para achar que somos melhores. Mil e um argumentos para dizer que não vale à pena crer que um bom dia, um sorriso, um abraço, uma ajuda, um olhar, faça a diferença. Certamente um invisível não seria capaz de merecer tanto, não é?
    Somos narcísicos. Amamos o espelho. De tão vaidosos, somos, por vezes, incapacitados de ver o reflexo de outrem. Nossa imagem é muito agradável. Nossa perspectiva é mais interessante.
   Não digo que ignoramos as pessoas por pura maldade, nem todos, mas não fazemos o mínimo esforço para ver o outro. Não preciso ir longe. Muitas vezes, a indiferença está bem perto mesmo, dentro de casa. Nós somos egocêntricos, e não acho que seja nossa culpa, mas na medida, em que deixamos que nosso ego ultrapasse o limite,  resultando na prepotência, arrogância, algo está errado.
  Desde crianças fomos ensinados a vermos nossas necessidades em primeiro lugar, até para nossa sobrevivência, fomos crescendo e essa “pedagogia” foi sendo propagada pelo egoísmo natural, pois à medida que “evoluímos” fisicamente, somos cada vez mais também, seres para dentro de nós, e de tão dentro, vamos-nos “enterrando” em um mundo particular.
    Precisamos ter um olhar mais exterior, que possa além de ver, a nossa TPM, o ônibus que está atrasado, uma briga de casal, a unha que infelizmente quebrou, o cabelo que não está como deveria, a espinha que insiste em não sair do rosto ou o trânsito que não acaba, possamos enxergar também os invisíveis. Sabe o motorista de ônibus, a vendedora da cantina, o pedinte de rua, a pessoa que senta do seu lado no coletivo...na igreja, o homem que vende sorvete na praia, seus irmãos,  sua tia, sua vizinha, jardineiro, faxineira (o), o colega de classe que ninguém tem tempo de ouvir, pelo simples fato, de não ser o mais interessante da classe? Sim, esses, com raras exceções, são seres humanos fantásticos, com muito para ensinar, se tivessem oportunidades.
   Sei que não precisamos deles (ou assim pensamos), mas quem sabe se fizermos um esforço, perceberemos que existe um sentimento chamado gratidão, e que de quebra, possamos lembrar também, que essas pessoas, um dia foram imprescindíveis, ou em algum momento de nossa  curta existência podem ser essenciais.

Autora: Sharline Dionízio
    

domingo, 12 de fevereiro de 2012

)))CinderELA(((

Era uma vez uma garota que acreditava em contos de fadas...

Ela acordava todas as manhãs encantada com os milagres.
Dormia muito tarde para não ter que perder a beleza de perceber. E quando fechava os seus olhos, sonhava com amores e entardeceres.
Andava nas ruas deslumbrada com a paisagem, mesmo com a repetição. Muitas vezes olhava para o céu, e queria tocá-lo.
Uma menina! Suas lágrimas não se ausentavam de cenas cotidianas, sabia do valor do sentimento e assim se afetava.
Não era mais criança, mas admirava cinderela, menina forte que mesmo com as maldades da madrasta, tinha uma beleza disfarçada. Encontrou o príncipe encantado, ainda que fosse apenas uma plebéia.
Admirava  os amores proibidos, sofridos e corriqueiros, mesmo que nunca em sua vida tivesse experimentado um deles.
Quando todos diziam não crer mais na bondade alheia, ela apenas silenciava, pois para ela era impossível julgar a humanidade inteira.
Não precisava de grandes ocasiões para sorrir, qualquer dizer, olhar ou tocar seria motivo para se alegrar.
Sentia medo de quase tudo, só não temia a fantasia e o mundo que era só seu.
Era o mundo, onde os contos de fadas aconteciam a todo o momento. Onde todos os  homens respeitavam as mulheres, crianças que aceitavam as diferenças, mulheres que não vendiam seus corpos, mídia sem sensacionalismo, famílias que prezavam  pela educação e não, unicamente pelo dinheiro,políticos preocupados com o futuro dos pobres desvalidos, Igrejas cujo único objetivo era  fazer Jesus Cristo conhecido, e o que ela mais acreditava:  que o amor, sem interesses egoístas,  existia.
Essa menina tão ingênua, dirias, ainda continua a mesma, mesmo que, em certo dia, tenha saído de sua torre e despertado da fantasia. Ela de vez em quando se depara com princesas e príncipes encantados e assim como em contos de fadas também enxerga o lobo mal e a madrasta malvada.
Esse mundo não é só seu, enfim exclamava, é de quem acredita que viver é uma magia, uma história que se escreve todos os dias, na qual somos personagens principais.

Autora: Sharline Dionízio



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

__Sentimento de ser__

Ser humano...

 Teu permanecer na terra são efêmeros anos, que a cada primavera comemoras. Quando tens um ano a mais, não é senão, um a menos, na tua existência que vai embora...

Que acordas pela manhã e te ocupas tão cegamente de afazeres diversos, sem saber que amanhã tua vida se despede...   

Adormeces sob a lua tão passageira quanto tua estadia na terra. Dormes ou vigias olhando a luz que o universo irradia, sem que nada possas fazer, a não ser admirar...

Andas pelo caminho que outros já traçaram, e te glorias de algo novo fazer. Teu caminhar é repetição, como o sol que assoma em todo amanhecer...

Conheces parcialmente de tudo que te rodeia e esperas da vida explicações. Ela vai mostrar muitas respostas e outras, não será possível entender...

Escolhes a todo o momento, mesmo quando pensas nada eleger, no entanto haverá o dia, no qual, irás sem saber...

Tudo que hoje tens neste mundo como verdades, nada mais são do que quimeras, no futuro será outra mentira que de tão repetida será tua história...

Nasceste irremediavelmente para sofrer, e a respeito disso, nada podeis fazer, tudo que fizestes até hoje, precisou pelo fogo padecer...

Acumulas tesouros e orgulha-te de seres bajulado, entretanto quando vêm o fim, precisas ir sozinho, e as riquezas ficam e são motivo de desavenças...

Ontem sorrias, hoje choras...amanhã? Quem sabe silenciar!? O que resta a tão pequena criatura, a não ser a única oportunidade de ser grande, senão sonhar?

Autora: Sharline Dionízio




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

*#*O encontro*#*

    Um dia estava dentro do ônibus e um homem idoso sentou-se ao meu lado. Era um dia comum. O céu estava límpido e as nuvens pareciam ter tirado o dia de folga. A paisagem que via pela janela era a mesma de todos os dias.  As pessoas entravam e saiam pela porta que rangia cada vez que se abria. O calor era intenso e o sol batia forte no meu rosto, lembro que a cada minuto colocava minha mão acima da cabeça incomodada com a luz que vinha de fora. Muitas pessoas conversavam sobre assuntos diversos: namoros findos, festas do dia anterior, brigas sem fundamento, e eu escutava as frases pela metade, vozes que apenas ouvia por falta de outro incentivo.  Exatamente naquele dia algo me angustiava, sabe quando sentimos que tudo é muito igual, as pessoas, o ônibus, a vida? Estava sem coragem de viver e nada parecia interessante.  Um incômodo que estava longe de se resumir apenas ao calor do sol.
    Todas as conversas foram interrompidas pelo brusco freio do ônibus, em que todos nós fomos lançados parcialmente para frente. As atenções se voltaram para o ocorrido, após olhares ansiosos, cochichos preocupados e palavrões do motorista, descobrimos o que ocorreu. Um idoso subiu vagarosamente pelos degraus, caminhou pelo corredor entre inúmeros olhares. O suor escorria de sua testa. Ele não se incomodava com a atenção que recebia. Havia muitos lugares vazios, mas ele sentou ao meu lado. Então escutei algumas palavras de sua boca referentes ao motorista, não ouvi bem, mas o tom de sua voz não era de reclamação, era de desabafo.
      Depois do acontecido todos voltaram a seus assuntos, vozes novamente tomavam conta do espaço e, eu também voltei à minha inércia. Após algum tempo sentado ao meu lado, o homem olhou em minha direção e começou a falar. Confesso que não estava muito interessada, mas o escutava como quem nada fazia de importante. No entanto, na medida em que o ouvia, mais me impressionava com suas palavras. Voltei o rosto então para mirá-lo, seu aspecto era sereno e puro como uma criança de colo, nem parecia que ele quase morrera atropelado. Seus olhos eram vivos e transmitiam confiança. Fiquei envergonhada de ver tanta vida nele e uma dose enorme de desânimo em meus gestos.
    Em pouco tempo sua vida estava posta à minha frente como um banquete que o anfitrião faz questão de caprichar. Morava em um lar para idosos, junto com outros velhos maravilhosos, como ele mesmo disse, recebiam poucas visitas e muitas apenas assistencialistas. Queixou-se da falta de paciência das pessoas para ouvir "histórias de velho", e ressaltou da alegria que sentia quando uns poucos e raros jovens interessavam-se por seus conselhos, sentia-se útil. O meu mais novo amigo então, olhou fundo nos meus olhos e perguntou se eu já tinha visitado um asilo. Não precisei responder, ele viu a resposta nos meus olhos, no entanto fitou-me com compaixão. Falou-me que foi pobre, rico e pobre de novo. A mulher o abandonara na sua última  e fatídica condição de pobre e, seu filho precisava viver sua vida, sem falar que suas histórias repetidas, gestos vagarosos, dificuldade de audição e inúmeras outras limitações  atrapalhavam o filho, que trabalhava muito e não tinha tempo a perder, por isso concordou em ir para o lar de idosos.
      Continuou então falando que saiu de casa pela manhã, junto com os raios de sol, fora visitar o filho, já que ele não gostava de ir ao asilo, mas ao chegar à casa que o pertenceu há muitos anos e onde viveu momentos felizes, foi surpreendido por outras pessoas morando lá, e logo foi informado que seu único filho havia vendido a casa. Após desculpar-se foi caminhando vagarosamente pelas ruas, lágrimas desciam de seus olhos, queria apenas um abraço e a atenção dele, mas nem mesmo foi avisado. Foi quando viu o ônibus que se aproximava, e  percebeu que ele não iria parar mesmo fazendo sinal, então foi para frente dele e o motorista foi forçado a frear. Ele contou-me que não sabia do filho, mas uma coisa que não lhe faltava era esperança, ia esperar! Seu filho não o esqueceria. Concordei com ele e desci do ônibus, havia chegado a minha hora.  Nunca vou esquecer do que aquele homem me fez sentir. Alimentou-me com fartura e devolveu-me a esperança na vida.

Autora: Sharline Dionízio
    
     

   
    
    
    

sábado, 7 de janeiro de 2012

***A esperança não morre***

   Fico diversas vezes impressionada com a capacidade destrutiva do ser humano. Todos nós já assistimos nos telejornais, notícias de plantão, conversas de vizinhos ou mesmo presenciamos a violência em todos os sentidos. Não somente a agressão física, mas também no que se refere à educação; algumas pessoas não respeitam as outras, não há a consciência de que somos todos seres humanos e que, portanto somos iguais, estamos todos no mesmo “barco”.
     Acredito que não escreveria novidades se citasse exemplos da violência que alguns praticam com seus semelhantes sem nenhuma culpa ou arrependimento, ou mesmo se sentem remorsos no momento, não pensam duas vezes antes de novamente agirem agressivamente. Existem infindáveis exemplos, pois quase podemos tocar na violência. Seja em casa, no vizinho, na escola ou faculdade, trabalho, enfim no nosso cotidiano.
     É recorrente notícias de filhos que matam pais ou o contrário, mães que espancam os filhos, abandonam os recém nascidos nas lixeiras do mundo. Alunos que deixam claro para os professores que o único aprendizado que desejam é de como ficar “ por cima” nos corredores, de como “zoar” dos que são “idiotas” porque estudam. Passageiros de ônibus que despejam nos motoristas chingamentos bastante agressivos apenas porque ele passou da parada. De funcionários que preferem escolher a inveja e destroem a vida de colegas, apenas com o intuito de “subir” na vida. Homens e mulheres que retiram de outros, objetos valiosos que foram conseguidos com esforço, ou mesmo que nenhum esforço tenha sido feito, o que fica é apenas a sensação de incapacidade diante da falta de respeito. E quando é retirado algo que nada se iguala em valor então! Me refiro à vida. Não há remendo que repare o mal, não há anos de prisão que traga a vida de volta, não existe punição que retire da mãe desesperada, do pai desconsolado o sentimento de perda de algo irreparável, não temos capacidade de mensurar a dor de ver um dos nossos jogados no chão de ruas sujas com marcas da violência gratuita, através de armas que representam não só o terror da possível morte, mas também a decadência de quem a segura.
    Não consigo entender tanta insensibilidade! Nada ganhamos com a dor do outro a não ser o peso de ter feito um ser humano sofrer. Inúmeros momentos fixo meus olhos em tantos rostos e vozes que falam em meio a lágrimas e sofro, sinceramente sofro porque alguém tem coragem de matar uma criança ou qualquer outra pessoa, de roubar um idoso ao sair do banco ou retirar furtivamente da bolsa alheia um objeto que não lhe pertence, de  pessoas que tem como função o cuidado e que ao contrário espancam aqueles que eram responsáveis e  que foi depositada toda confiança.
    Certamente a violência existe desde sempre. Caim matou Abel. Este irmão invejoso ainda mora dentro de nós. Resta apenas escolhermos que atitude vamos tomar em nossa vida em relação aos outros. Torço com todas as minhas forças para que o bem vença o mal, que os bons sentimentos prevaleçam sobre a inveja. Sonho com pessoas que respeitam os “anormais”, que respondem ao boa tarde que de tão corriqueiro se tornou voz que não se escuta. Anseio com o tempo em que um olhar estranho não se torne motivo para um briga, que uma batida de carro não seja desculpa para tirar o futuro de alguém. Sonho...e choro pela dor que em mim não dói, mas que sinto como se em mim doesse.
     Entretanto sei que existem vários exemplos bons, de pessoas que fazem da vida jardins onde nascem belas flores, que se abrem e se fecham sem se importar com os passos ligeiros e despreocupados, apenas espalham beleza ao redor. Seres humanos que são “humanos”, que erram, mas que a essência não permite que a superficialidade vença. Assim prossigo acreditando que somos melhores do que parecemos tantas vezes, que más atitudes podem ser acompanhadas de um singelo pedido de perdão. Acredito ainda no ser humano, em Deus e na vida...no bem e no amor. E continuo caminhando no tempo, nos dias e escolhendo...na certeza do amor que, se não foi escolhido, ainda é opção, é só acreditar.

Autora: Sharline Dionízio

   
   





quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Um olhar **

Olhos que dizem o que a boca não sabe dizer...olhar é mistério que não consigo entender. Olhos que me olham...que não me vêem...olhos que procuro, que me procuram...que quero que me achem.... e que  anseio me perder.
Não sei parar de olhar...quando perceberes que olho, talvez pare de te constranger com a minha visão que não vê, mas que deseja...que se contorce de dor para ser objeto do teu querer.
Olho distante, que me fascina... que de tão longe se aproxima...olhar de medo...o meu, e não o teu....o olhar que me olha não teme...encara as pupilas que fazem força para não te perder...
Olho que por vezes se perde... encontro olhando em direção oposta...não há porque desviar do olhar que só quer penetrar no teu...que vive para ver...que não sabe mais ser sem que tua visão alcance o meu.
Teus gestos combinam com teu olhar...quero pegar...agarrar o que enxergas...correr ao encontro da visão que não consigo ver....tudo...desejo tudo que não é só meu....e o teu olho pode ver mais do que o meu....preciso saber o que a tua visão vê quando olha o meu entardecer...meu...só meu....quero mesmo é ver o teu!
Olhar de adeus...juro que não quero viver sem teu olho de amor....de sedução...de ilusão. Não pare de fugir do meu... não vá...só prometa que não vai ficar...fique e se  vá! Não olhe tão perto...não vou agüentar...vem ao meu encontro e apenas olhe...não me toque....quero só ver onde chegarás!
Olhar da chegada....como pude tanto tempo esperar...sete que não se despede...como sem me saciar...apenas esperando teu olhar chegar...anseio pelo teu olhar....desprezo....   me olhas  sem na verdade me enxergar...
Como podes ser tão cego a ponto de ver e deixar passar?!! Sei que é inútil e nada posso esperar. Mas só de saber que olhas e correspondes ao meu olhar não necessito nada mais além dessa vontade de voar para a ilusão que é te amar...
Olhos...olhos....nunca pensei que farias de mim uma viciada na tua maneira de me notar...quero me eternizar na cor do teu fitar....cor de prazer, de solidão....de desejo descabido...de vontade de ter partido....visão do céu....um véu...um pano branco....uma faixa de realeza....a representação da grandeza....Sei que posso te tocar, apenas com o meu olhar.

Autora: Sharline Dionízio




quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Só sei que duvido...e você?????

Certeza. Essa palavra tão breve e tão forte. Tão independente. Não fraqueja, nem se move.
Certeza, palavra triste, porque não precisa de mais nada. Possuir a certeza é ser todo em qualquer ação. É nada mais esperar, é acabar-se em si mesmo.
Ter certeza é não precisar... não precisar sofrer, ou mesmo sofrer sem querer. É altiva e prepotente. Tem a verdade e nada mais carece. Já cresceu e amadureceu nada mais tem que venha a aprender.
Certeza que não esmorece, mas que também não enobrece. Certeza que em nada nos inveja, mas talvez precise alguma vez, do que só a dúvida  tem a dizer.
Dúvida! Maravilhosa dúvida que nos faz buscar, imaginar, procurar...
Duvidar é ser incompleto, é procurar o pilar que só a certeza pode dar. Se um dia a certeza nos encontrar e se alcançarmos a sua verdade, seremos mais completos. Mas eu só quero a lentidão que o preencher sabe fazer.
Ser completo é acabado. Não precisou juntar as poucas verdades, não foi se fazendo. A completude de que falo, é, e nada foi antes. Já surgiu na totalidade do ser.
Ser preenchido remete a pequenas doses de verdades. Preencher é aos poucos ser, é construir-se e ser todos os dias. Ser preenchido é ter sido um pouco cheio e um pouco vazio.
Ah! Certeza tão almejada! Tão buscada! Tão procurada! Estás tão enganada! Será que alguém realmente deveras te quer?
Não te iludas certeza! Porque o que se quer é procurá-la. É como brincadeira de esconde- esconde, onde o melhor não é encontrar, mas a busca, a ansiedade, a frieza, a expectativa de achar.
Certeza quero procurá-la, no entanto sem que possa de fato, saber onde está.
Certeza é deixar de ser humano, quero a angústia do ser. De não saber o que o amanhã vai proporcionar. Quero a cegueira da incompletude, do nada saber.
Ter certeza é ter esgotado a esperança. E eu quero ainda esperar  e todos os dias um pouco preencher.
Não sei viver diferente,  só sei ser aos poucos!
Autora: Sharline Dionízio

#Angústia#

Olho para mim e não encontro o que procuro
Vejo apenas o nada. 
Na verdade eu não sei o que procuro.
Como posso procurar algo que não sei se existe,
Que provavelmente não há?
No entanto busco insistentemente por alguma coisa que talvez me ultrapasse.
Como posso entender o todo se sou somente a parte?
Certamente não posso enxergar todo o mar, meus olhos não podem mensurar a imensidão que se estende no horizonte.É como abraçar uma nuvem, tocar uma estrela, sei que não vou alcançar. Mas não me acomodo. Deve fazer parte do existir essa busca pelo que não se sabe, esse porque que anda sempre sozinho, esse vazio que nomeamos de nada, essa dor que na verdade não dói. Isso não consigo entender, procuro o vazio em meio ao tudo que se move, procuro o nada. Pálido, inerte e inalcançável. Voltai pequeno ser, voltai para o inautêntico existir para que a vida breve seja ao menos mais leve, voltai!
Autora:Sharline Dionízio