Sejam bem vindos!!

























sexta-feira, 26 de abril de 2013

O quê da vida





Viver é uma tomada de consciência progressiva. Um dia, muito tempo atrás, as flores eram outras, o brilho do sol queimava menos minha pele, as tempestades pareciam mais desafiadoras, a lua que surgia tão grande no céu realizava todos os meus desejos, a noite tinha um cheiro de sereno proibido, as ruas serviam de palco para aventuras cotidianas e antes que pudesse notar porque as pessoas não acreditavam na vida, ou porque os adultos eram tão preocupados em explicar a vida, eu apenas sentia a vida como fazem os pássaros, como fazem os sábios.
Eu não pensava no que porventura não aconteceu ou no que iria suceder, eu saboreava o momento que surgia despretensioso nas noites e dias que me eram presenteados.
Não sei onde se perdeu esse olhar que só enxergava a simplicidade do mundo.
A vida tão vazia, no melhor sentido do termo, era um nada cheio de sonhos, um não sei repleto de certezas.
E diante das grandezas desse meu caminho eu tinha medo, mas não era angústia, era fraqueza.
Os cenários eram todos novos, recém chegada à vida eu temia os outros e os “eus” que surgiam dos outros.
Quando mirava o céu ele parecia dar ordens, infinito o seu poder sobre mim.
Sinto que tudo que contemplava antes está aqui, mas não pode ser igual,  o rio segue seu curso, o tempo muda as posições, as estações se alternam e o olhar se submete aos limites do espaço e das horas.

Sharline Dionízio

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Só escrevo...



A palavra chega como um refúgio.
Ainda que esteja dentro de mim,
 vem como significado externo, 
com o propósito de fazer-me entender
o inteligível.


Os medos, as perdas, os diálogos internos.
 A solidão dos pensamentos tão vãos,
 tão desnecessários.
 Assuntos sem solução, 
vidas que estão à volta e não sabemos quem são.

A  consciência tenta usar a razão, 
mas o outro que nos infere suas idéias nos ganha
 como um conselheiro que nos atormenta,
 e ele quase tem razão.

Não sei se palavras resolvem, talvez não!
 O que faço então com os sorrisos não dados? 
Com a demora?  
Com a distância entre o que mostro e o que sou?  
Entre os olhos que dizem e os olhos que calam?
 Entre os dedos que cruzam e a torcida infundada ?

 O que faço com o grito guardado? 
Com a lágrima que cai? 
Com o choro que não sai?

O que faço com a preocupação inútil? 
Com os insultos?
O que faço comigo quando não mais acredito?

O que faço com a fé? 
O que faço com você? 
O que faço no mundo sem você?

 O que faço com o pensar?
 O que faço com o fazer?
 O que faço com o que não faço?
 Faço e não sei fazer.
.
Penso sem fazer, faço sem pensar! 
 Sou mais que penso e menos o que sou. 


Sharline Dionízio

quarta-feira, 27 de março de 2013

Entrelinhas




           No olhar, na fala, nos encontros que se dão entre intervalos inconstantes, na brisa das palavras que nos impulsiona para recantos escondidos da alma, nos dizeres poucos, nos muitos, na história que poderia mesmo ser nossa, sem, contudo nos pertencer, na fragilidade dos gestos, da forma que nos dirige sua voz, como carrega nos ombros o sofrimento.
          A fala mansa que nos chega como grito de socorro e mesmo que estejamos dispostos a ouvir, há um abismo no entendimento das suas melancolias. Quem pode desvelar o que a alma não deixa encontrar? Onde suas reminiscências esbarram em minhas lembranças, tão iguais e tão sozinhas?
         Como os meus olhos podem descobrir nos seus um pouco de esperança? Os modos, tão cotidianos, tão simples, tão singelos, dizem sem dizer, e, no entanto sinto a intensidade de suas desilusões nas palavras não ditas.  No fundo de cada existência, há uma fonte impetuosa que jorra no infinito de cada um. Sem saber a vida corre, como um rio que não sabe por que vai, é assim que caminhamos sem destino e sem reservas em busca de tudo que desconhecemos.  
          Não sei ao certo da história que há por trás de suas lágrimas, me deixas conhecer somente o que minha capacidade de comiseração pode compreender de um estranho, entretanto em mim há também um choro de incapacidade.

Sharline Dionízio


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Razões...


Hoje quero falar...

Da saudade que aperta.
Das despedidas que causam agonia.
Quero falar do que as palavras não dão conta.
Do que os seus olhos me inspiram.
Do que a boca cala.
Do que o sorriso delata.
Quero falar em poesia
O que não falo só por falar.
Da vontade de dizer: fica
Quando digo: vá.
Do coração que dispara somente por você chegar.
Da enorme vontade de não me separar.
Dos momentos ao seu lado que excluem todos à volta.
Dos beijos sem comparação e abraços sem explicação
Dos pensamentos constantes, das mensagens reconfortantes
Dos telefonemas de surpresa que fazem a alma pular.
Quero falar da palavra “para sempre” que não ousava citar.
Da metalinguagem dos nossos momentos.
Das crises de riso que me fazem chorar.
Quero falar...
Das mãos dadas, dos dedos dados, dos passos acertados.
Da chuva de beijos por nada.
De todas as formas lindas que me trata.
Da simplicidade dos nossos encontros
E de como valem a pena.
Da lua que nos embala.
Das lágrimas nunca de tristeza.
Dos sorrisos sempre de prazer.
Falar do bem que me faz.
E isso basta para nunca te esquecer!

Sharline Dionízio



quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Siso *´¨)* ¸.•*¸.•*´¨).•


     Mesmo que a sensatez seja o que de melhor cultivo, há momentos em que ela me foge como um pássaro preso há anos que se vê novamente solto. Ser sensato significa ter juízo, equilíbrio, prudência. É isto que procuro: um equilíbrio entre as emoções e a razão. Esta, chega a  roubar-nos os sentimentos, tão bem escondidos, por motivos não tão claros.
    Minha sensatez confunde-se com medo, isto é, covardia, fraqueza, pavor. Será que dizer-me: és sensata! Causa-me orgulho de ser quem sou?
    Por vezes os sentimentos nos tiram a noção de nossos limites, dos limites do outro. Agimos fora do controle e só depois nos damos conta de algum erro.
    O que mais nos torna insensatos: a vaidade, o orgulho, o medo, a ganância, a paixão, entre outros desvarios da vida humana.



  Sharline Dionízio

     

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O carteiro


Um sorriso foi o que me encantou.
Sorriso largo de quem não precisa ser simpático e foi o que me fascinou.
A mágica de um gesto, o qual  não havia utilidade, mas era tudo que ele podia ofertar.
Da não necessidade nasce o prazer de contemplar, de apreciar.
Sorrir é natural. Todo mundo faz!
Mas aquele sorrir tinha algo mais.
Acabara de se cortar, o sol estava ainda quente e as várias cartas em suas mãos,
denunciavam muito trabalho que ainda iria enfrentar.
Olhei seu sorriso e não pude deixar de reparar na gentileza de seus modos
E na forma que gastava suas horas.
Ainda tinha muitas cartas para levar aos seus destinos, mas ele não tinha pressa.
De apressada, somente eu, que apesar de não ter o que fazer, corria nas palavras,
Nos passos e ele apenas a me fitar.
Limpava seu braço do ferimento e perguntava meu nome com um sorriso cheio
de paciência.
Pensei que sua vida era muito doce, não por ser fácil, mas por conseguir
Sorrir de forma tão verdadeira, quando podia agir com indiferença.
A poesia está em seu olhar, está na lembrança desse sorriso, da lição que recebi
sem que proferisse palavra.
Sorriso que não sei explicar.
Não sei ao certo o que me provocou, mas certamente nunca deixarei
de sorrir mesmo que não haja motivos para tal.
Foi isso que ele me ensinou.

Sharline Dionízio






sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

<< Inércia >>



    Há dias solitários, quentes e vazios em que o vento passa somente por passar.
    São dias banais, distraídos e sem sentido.
    Tempo de um nada que se instala debruçado nas janelas da vida
    a esperar o sorriso de uma novidade corriqueira.

    Tardes frívolas banhadas por pequenas doses de descontentamento.
    Não há alegria em deixar-se ser.
    E é isso que faz o dia tão trivial: a vida
    levando teu dia e tuas tardes tão banais.

    O céu parece não se importar com o movimento que faz.
    Só eu a espreitar os desenhos dos aviões que vão riscando o ar.

    Os gritos de choro são crianças na calçada contrariadas pela mãe.
    Os pássaros que cantam são pequenas criaturas aprisionadas em gaiolas
    entoando a canção que não tenho coragem de cantar.


    Olho, sentada na calçada, um cão cheio de dores que se arrasta pelas ruas.
    Ele nem sabe que a vida o devora.
    Quis ser como ele, que a vida carrega aos poucos sua energia e ele nem ao menos
    Se importa. Eu, que nem cão sou, arrasto-me entre desatinos e
    tenho consciência da minha miséria.

    O sol faz seus primeiros deslocamentos de despedida.
    Nada muda no que sinto e vejo do dia que vai embora.

    Sharline Dionízio




quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A vida que passa...



  Os olhos não sabem em que exatamente fitar e ao que parece não há pressa para fixar-se em algo. 
Os sons daquela tarde costumeira são diversos e já tão naturais, que é difícil distingui-los do constante gemido que opera a cadeira de balanço em que está acomodado. 
A tarde é igual, o céu permanece com aquele azul claro que parece ser presente de Deus a quem não espera mais nada da vida. 
Passos despreocupados seguem à sua frente e vão desaparecendo à medida em que se distanciam, ficando apenas o rastro de gente.
 A cadeira vai para frente e para trás e a vida vai sendo levada, assim como o vento conduz delicadamente a folha que não se dá conta de seus movimentos. 
Não tem pressa mais para viver, aprendeu que a vida acontece sozinha. 
As conversas alheias à sua frente não o distraem, escuta como quem não se detém nas palavras, apenas no essencial. 
Os olhos alheios não se voltam para à calçada e ele pensa consigo que não tem mais atrativos para receber um olhar mais demorado.
Elege alguns passantes e pergunta-lhes a hora, como uma forma de dizer ao tempo que não tem medo do espaço que percorre.
As lembranças são constantes em sua mente, é o que move ainda seu interior...
os tempos de juventude. 
As mulheres que amou, as paixões findas e os dias de sofrimento que o faziam sentir-se vivo.
Tudo é passado?
parece que não, consegue sentir cada sensação, cada suspiro, toda paixão!
Ninguém sabe o que se passa em seu coração no momento em que está sentado na cadeira de balanço.
Prefere calar, ninguém tem tempo para escutar e certamente repetiria as mesmas histórias que seus filhos e netos já estão cansados de ouvir.
Mal sabem que tudo que fala é o que mantém sua vontade de viver ainda, vive disso: das lembranças.
Todo dia é a mesma coisa: Tarde ensolarada, cadeira na calçada e a vida que passa.



 Sharline Dionízio
     

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Ondas do mar...




Pergunto para o mar de onde vem tanta beleza?
Suas ondas me desafiam, sua majestade ofusca a vida.
Não obriga.
Manso e agressivo.
Não irrita.
  Hipnotiza-me.

Ensina-me  a amar
porque és fugaz.
E só quem se joga, como tuas ondas
Sabe como se entregar.

A correnteza luta para levar
a tristeza que teima em ficar.
Tua liberdade tão natural e forjada
por Deus, fala mais que as palavras
Que não sei pronunciar.

Só tuas ondas a levar meus pensamentos.
E meu corpo apenas sente o que não
Sei explicar.
São momentos que ficam e outros
Que teimas em levar.



 Sharline Dionízio






domingo, 7 de outubro de 2012

Brasil, um país de poucos!!!



Povo brasileiro, não os culpo pela descrença.
Não julgarei teus gritos de revolta.
Terei paciência quando cansados do descaso já não crês que há
Solução.
Em meio às circunstâncias tão adversas o que se houve são brados
que não fazem eco.
Nação tão subjugada pelo dinheiro, pela força dos poderosos.
Não os culpo por não terem mais a cor da esperança.
Não tens mais cor alguma.
Quando de longe vejo olhares que não fitam mais nada
Não ouso dizer que sois culpados pelo governo que tens.
Não é tua culpa.
Andas como quem não vai a lugar algum.
E há algum lugar para ir?
Tuas lágrimas me comovem, teus pés cansados paralisam os meus.
Teu discurso é de quem não acredita mais.
E eu, ainda posso dizer para não desistir, simplesmente por que teu sorriso me enche de esperança.
Quem sois senão povo que não sabe o que faz com o poder que possui?
És as mãos que escolhem, mas também és a vida manipulada pela ganância.
Não os culpo e nem poderia!
Quantas vezes teus passos buscaram a  única luz
 que  iluminava e no entanto voltastes sem nada!
Minha voz para ti não fala.
Somente ouves os gemidos do vazio de teu corpo cansado!
Teu chão é árduo.
Não houve saída para tua estrada, teu caminho foi roubado.
Queria poder dizer mais do que disse naquela fila da democracia forjada.
Não tens muito estudo, mas já me falavas da obrigação
De escolher quem não merece vencer.
Já me questionavas sobre minha esperança e eu só pude
Dizer que fé é confiar sem ver.
Mas, não sei por que falei de fé, para um povo
Que faz isso todo dia sem saber.
Fui para casa com aquela palavra na mente: Fim!
E aquela mulher também foi embora e levou
Minhas palavras que não servirão para nada.
Mas em mim ficou sua tristeza, sua revolta  de uma cirurgia
que nunca chega e  esse texto
Que agora escrevo baseado nas palavras que escutei.
Minha última frase foi: D. Lurdes tenha esperança a senhora vai vencer!
Autora: Sharline Dionízio