Fechei janelas importantes, eram
cheias de grades que me prendiam, grades invisíveis, idéias arraigadas a mim, e
eu não percebia assim. Mas não as cerrei por definitivo, elas continuam
esperando por mim, não abandonei meus intentos passados, meu velho assoalho.
Tudo que construí acima dele, ele, por vezes, me recorda o que antes me
atrelava ao chão. Um ser, um lugar, uma ideia, um amor de rei. Dias
ensolarados, dias convencionais, dias repletos de conformismo, de injúria, de
querer ficar, de sair sem rumo, de olhar nos olhos, de fugir de lá. Um dia eu
olhei para trás, eu toquei o chão, eu quis parar, não pude voltar. Uma página
saiu voando, com uma ventania que jamais passará. Um dia, faz tempo e o tempo
se faz agora. Houve um tempo que o dia era futuro e o futuro agora. Houve em
mim jardins com olhos humanos, em cada olho um lugar e um ideal de ego que eu
não podia explicar. Andava e meus pés
queriam voltar, havia pouca paz e muita melancolia. Ainda não sei em qual
janela permanecer, qual a melhor paisagem. Não sei dizer se o céu que hoje
contemplo é mesmo o reflexo do dia que não passa, do dia que nunca passará.
Existe um tempo eterno? Um momento que pode durar? Eu vivo como quem não sabe
olhar, eu vivo com meus limites, com tudo que sou agora, eu vivo como quem luta
e não sabe contra quem lutar. Eu sigo em frente e não quero mais voltar, eu
continuo num caminho que parece o melhor, eu deixei outra vida antes e preciso,
pelo menos, saber o que deixei para lá. Me pergunto quem sou eu, quantos não já
perguntaram? Eu sigo perguntando quantos passos valem a pena, quantos caminhos
caminhar, eu pergunto todo dia que é essa psicologia? Eu pergunto quem vai me
explicar. Quantos olhos encontrei! Olhos mesquinhos, olhos de burguês.
Encontrei olhos vazios também olhos de amor e prazer, olhos de piedade,
encontrei você. Falei para ouvidos atentos, falei como quem canta uma música
indecifrável, falei e falei. Ouvi histórias tristes, ouvi piadas que me fizeram
rir, ouvi sem querer, ouvi sentindo uma dor que nunca havia sentido, era
amargura, aflição, agonia. Tive que ouvir, tive que segurar o choro, a voz,
tive que sair ereta, tive que permanecer. Quantas casas entrei, quantos dias me
escondi de mim, só pra me defender. É duro olhar e sentir que a vida é tão
mesquinha assim, mas a vida me alegra quando sabe agradecer, quando devolve a
alegria, quando a esperança é madrinha, quando se busca um refúgio em olhos que brilham, em
mãos que se mexem, em sorrisos que me apetecem. Descobri que as janelas alheias
são cheias de medo, de desespero. O que me acalenta é sentir o cheiro das rosas
por algumas janelas que vejo. Passantes felizes, outros que andam só por andar.
Eu estou aqui, é difícil enxergar, é difícil escutar, é difícil falar na hora...(?). Se as pessoas erram, não é porque elas querem errar, quase sempre, não
sabemos enxergar, escutar e falar na hora certa.
Sejam bem vindos!!
sábado, 24 de agosto de 2013
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Metalinguagem ...
Um amor razoável que se esconde da emoção.
Falamos abertamente da beleza de nos caber.
É como correr ao encontro de nós dois, sabendo sempre nos ter.
Se digo sobre a beleza da lua automaticamente estou falando de você.
Se falo das estrelas é porque me lembram você.
Se, por acaso, falo do fim, só quero que perdure para mim.
Falamos abertamente da beleza de nos caber.
É como correr ao encontro de nós dois, sabendo sempre nos ter.
Se digo sobre a beleza da lua automaticamente estou falando de você.
Se falo das estrelas é porque me lembram você.
Se, por acaso, falo do fim, só quero que perdure para mim.
As palavras que saem daqui estão querendo
encontrar o princípio e nunca seu fim.
É apenas o medo de pertencer e depois somente perder.
Nosso amor é consciência e sensatez,
é como voar sem ao menos sair do chão,
ter o brilho nos olhos e o coração na mão.
Uma busca incessante por cada amanhecer.
Nosso amor é consciência e sensatez,
é como voar sem ao menos sair do chão,
ter o brilho nos olhos e o coração na mão.
Uma busca incessante por cada amanhecer.
O sol nascendo para mim, é somente ter você.
Se por acaso, não vemos um ao outro, só tua
voz me acalenta
E a palavra cura a dor da tua ausência.
Ainda assim, não deixo de clamar teu nome
De ter medo do escuro.
De morrer aos pouquinhos,
De morrer aos pouquinhos,
não sabendo te
esquecer.
Por isso, usamos este artifício,
Por isso, usamos este artifício,
lembramos sempre
por que um escolheu o outro,
nosso motivo para viver.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
O que não se vê
Olhava
para tudo ao meu redor, era uma tarde comum e aconchegante. O céu tinha uma
cor alaranjada e as nuvens davam passagem para o colorido se espalhar no
horizonte. Eu olhava desatenta para o céu e via nuvens que dançavam junto com a
brisa que passava tão calma e melancólica. Minha vontade era de não passar, de
ficar ali sentada como quem tem a vida toda para viver. É tão bom ficar quietinha
somente olhando, sem deveras ver!
Estava,
simplesmente, sentada em um banco de praça entre muitas que existiam no mundo.
Apesar desse sentimento de pertencimento cósmico eu sabia que possuía em mim
algo intransponível, mas não sabia ao certo, o quê.
Via
crianças brincando de se esconder, mães conversando sobre afazeres cotidianos e
sobre seus filhos, bicicletas e velocípedes percorrendo a praça bem diante dos
meus pés, criaturinhas tão pequenas passavam perto de mim e nem me notavam.
Tinha a sensação de estar observando tudo e
no entanto, não estar ser vista por ninguém.
Ao longe notei que uma criancinha não estava brincando como
as outras. Ela tinha na face uma lágrima que parecia não parar de cair, uma lágrima
constante. E nos olhos um brilho que não se podia explicar. Parecia uma criança
de seus 8 anos, não tenho certeza, cabelos soltos no compasso do vento, balançava as pernas curtas
devagar e em um certo ritmo, como quem se concentrava para isso. Ela não brincava, não tinha amigos.
Parecia triste e ao mesmo tempo não aparentava incômodo por assim estar.
Esperei algum tempo na certeza de que alguém se aproximaria dela. Depois de um
tempo uma mulher, provavelmente sua mãe pegou sem delicadeza o seu braço, entre
xingamentos e gritaria e a levou embora. Fiquei por alguns minutos refletindo
na incapacidade humana. Nas mãos atadas, na insuficiência que nos circunda.
Quando ainda estava fazendo cogitações sobre a cena
anterior, alguém sentou ao meu lado no banco, quase não senti porque o gesto
foi simples e brando, assentou como quem não precisa de muito espaço para
viver. Olhei para o lado e me senti tão bem. Toda a ideia antecedente se
dissipou. Olhos pequenos, cabelos brancos, corpo esguio e um sorriso constante.
O pouco tempo que ficou lá sentado, me serviu para vida toda. Eu poderia dizer
que ele conversou copiosamente e me ensinou várias lições. Mas não foi isso que
aconteceu. Ele só sentou ao meu lado, tem gente que não precisa de palavra para
dar um exemplo. Ele distribuía rosas a todos que passavam e, às vezes, como num
súbito despertar de sua satisfação ele dirigia-se a mim dizendo que ofertar
rosas era seu ofício de viver. Entendi sua satisfação pelo sorriso de quem
recebia o presente. Em um momento ele apontou para o céu e pediu que lhe contasse
o que eu via. Não entendi, mas comecei a descrever o crepúsculo que surgia tão
magnífico. Percebi ao olhar fixo em seus olhos que ele era cego. Mas foi os meus
olhos que ele acendeu.
Os gestos tão distintos dos personagens, mostram o que podemos ser na vida de alguém, o quanto o
amor dos pequenos modos podem ser reveladores. Uma tarde na praça, um
pôr-do-sol infinito na alma.
terça-feira, 21 de maio de 2013
À luz da psicologia
Resenha do filme: Como uma estrela na terra
O filme em todo seu movimento caminha pela disparidade, pelo contraste
entre o egocentrismo e o altruísmo, entre os que não acreditam que o amor
pode salvar uma história e um professor de artes, que não tem medo de mostrar
que a felicidade é passaporte para o sucesso sim, a depender da visão que temos
de vencedores.
O
diferente é personagem principal da trama, não falo do garoto Ishaan que não
conseguia ler e escrever aos 9 anos, não falo do seu colega de classe que não
conseguia andar direito, nem tampouco das crianças com alguma deficiência que
eram ensinadas em uma escola especial.
Refiro-me ao professor Ram Shankar,
o qual, sai da sua zona de
conforto e olha sem pressa para o menino, que vê além do que é mostrado, não se
contenta com a margem e busca mares mais profundos. Presta a atenção no
não-dito, no que é apenas olhar que clama por ajuda, sem que a boca nada
consiga dizer. Escuta somente pelo prazer de aliviar a dor do outro, e por mais
que esse outro não fale tem a sensibilidade para enxergar o avesso.
Há
uma diferença entre deixar alguém ser e aprisionar uma alma. O que os pais de
Ishaan não entendiam era que ele queria voar, os muitos pássaros que ele
admirava, ao percorrer as ruas, mostravam ao garoto que o céu podia ser
alcançado. Mas como, se ele estava preso pelas próprias inaptidões? Ele falava
pouco, mal dizia se queria bolo ou torrada no café da manhã, também não
conseguia dizer o que o incapacitava. Seu pai não o compreendia, sua mãe o
aceitava com alguma compaixão e por vezes, tentou ensinar-lhe o que de nenhuma
forma aprendeu. Cometia os mesmos erros e isso parecia uma afronta. Quem nunca
se deparou com alguém que por mais que tentássemos ajudar ele sempre voltava e
pedia perdão pelo mesmo erro? Que tipo de revolta nos causa então, quando esse
alguém nem sabe pedir desculpas pelo que cometeu, se é que se vê como inconveniente?
Para
os pais do garoto seus erros eram inadmissíveis, sua imaginação ignorada e sua
criatividade deixada de lado, tudo isso em prol de um futuro promissor. Ou vai
me dizer que para competir nesse mundo de gente perfeita também não temos que
ser completos em tudo? Como o irmão mais velho de Ishaan, que era o exemplo de
aluno disciplinado.
Se
nos cômodos aconchegantes de seu lar ele não podia esperar que seu silêncio
fosse compreendido, que dirá nos muros da escola que para ele eram mais que uma
prisão?! Ali as palavras eram pré-requisitos para permanecer e o que não fosse
leitura e escrita impecáveis, era jogado no lixo da ignorância.
Os freqüentes castigos nos corredores da
instituição, que prometeu dar-lhe a disciplina almejada por todos, mostravam a
deficiência do modelo de “ensino
bancário”, termo usado por Paulo Freire para designar o padrão de educação que
tenta a qualquer custo transferir para o aluno todo o conhecimento do professor,
de forma totalmente linear e autoritária. Tudo que a escola aspirava de seus
alunos era o que Ishaan não podia condescender: aluno que se adéqüe aos moldes
sociais, robôs em miniatura, crianças aprisionadas pela regra e pelo
conformismo. Palmatória na mão e nos olhos o medo de errar. Suas dificuldades
de aprender não podiam ter outra causa senão sua desobediência e seu
desconforto pelas cadeiras da sala de aula. Repetiu a 3ª série e foi negada sua
continuação na escola, foi de certo modo, expulso de sua própria casa.
Qualquer
observador atento veria em seus olhos o brilho que expressava ao caminhar pelas
ruas da cidade, tão conturbada. O aprendizado que ele, muito mais que na
escola, conseguia assimilar. Em tudo ele via algo que o encantava. Tinha
feições de gente que não naturalizava a visão das coisas. A sua alegria assemelhava-se
ao regozijo de um bebê, se percebesse, à hora do parto, seu nascimento, tudo
lhe era novo e peculiar.
Somente
depois de desistir de aprender, de abdicar até mesmo do que lhe era mais caro: desenhar e pintar, é que
pôde renascer como fênix, das cinzas da sua suposta incapacidade de ser
“normal”. Após constatar que não nascera para as letras e que por mais que
tentasse, não conseguiria ser um aluno aplicado (aos moldes da autoritária
escola), é que pôde ser olhado de um jeito novo. Alguém prestou a atenção na
sua melancolia. O educador Ram Shankar, trouxe arte para uma vida que estava
imersa no preto e branco.
Lembro
do que pensei quando vi a cena de Ram vestido de palhaço, dançando na sala de
aula, da vivacidade que vi nos olhos dos alunos, pensei que só poderia ser um
sonho. Não era. E isso foi constatado, quando passada a música que os embalava
e a dança que me envolvia, o professor solicitou que os alunos desenhassem o
que lhes surgisse na mente. Na mesa de Ishaan o vazio que há tantos anos estava
presente nos seus dias.
“Conhecereis
a verdade e a verdade vos libertará”, foi assim para Ishaan, somente depois de
saber a causa de sua inadaptação à leitura e escrita é que pôde se emancipar das amarras invisíveis
que o impediam de voar alto. Ir ao encontro do outro quando ele está
incapacitado de ajudar-se sozinho, até mesmo quando ele nem sabe do que ocorre
dentro e fora de si, foi isso que Ram fez, foi ao encontro dos pais do garoto e
contou-lhes a “sentença de morte”, seu filho tinha indícios de dislexia. “Como
assim meu filho é anormal?”. A partir do choque e da freqüente pergunta: “Por
que nosso filho?”. É que a aceitação vai sendo delineada aos poucos.
Segundo a International Dyslexia Association -
Comitê de Abril / 1994 apud Mico, (2004)
a dislexia:
É um distúrbio de aprendizagem, sendo o
mesmo, específico da linguagem, caracterizado pela dificuldade em decodificar palavras
simples, mostrando uma insuficiência no processo fonológico.
A criança sozinha não é responsável pelo seu “insucesso” escolar, pois
a aprendizagem caracteriza-se por uma relação bilateral, tanto da pessoa que
ensina, como da que aprende. (Ercolini, 2008). É preciso saber as causas do não
aprendizado do aluno, no entanto, mais do que um diagnóstico o aluno precisa de
acolhimento, de afeição. A análise por si só não transforma a realidade, é
preciso, segundo Ercolini, usar estratégias para melhorar essa relação de
ensino-aprendizagem independente de um diagnóstico de dislexia.
Foi isso que Ram fez, usou estratégias de aprendizado para o garoto e
não se prendeu ao que ele não podia, mas potencializou as suas capacidades. O
talento de Ishaan era evidente para a pintura e o professor soube usar de forma
muito criativa a sua habilidade propondo
um concurso de pintura, isso nos remete à teoria das inteligências múltiplas,
na qual a inteligência pode ser expressa de outras formas, que não a
convencional. Todo o tempo o professor de artes estava ao seu lado, disponível
para adequar o ensino ao garoto, o que falta em muitas de nossas escolas é essa
disponibilidade para incluir, para se doar e assumir o compromisso de educar
com qualidade independente das dificuldades apresentadas pelo aluno.
O olhar de Ishaan em alguns momentos era de resignação e em outros de
revolta, ele não entendia as causas do seu não-aprendizado. Com certeza
sentia-se culpado por ser “tão burro”. Não tinha alegria que é própria da
infância, tinha apenas um choro contido e uma feição de derrotado. Sua auto-estima
estava baixa, pois era vítima de risos, piadas maldosas e castigos constantes.
Não tinha forças nem mesmo para se arrumar sozinho, não tinha energia para
levantar-se para ir à escola, pois sabia que lá era seu calvário. Somente após
entender o que se passava com ele, a partir de uma historinha contada pelo
professor em que grandes pensadores de nossa história foram citados como
dislexos, é que um sorriso foi visto em seu rostinho de criança e uma certeza
em seu coração amargurado: eu posso ter esperanças!
É isso que Gonçalves nos esclarece, ao dizer que somente após saber o
real significado do que acontece consigo, é que a criança sente um grande
alívio, pois não se vê mais como “culpada” por não aprender. É como se tirasse
o mundo das costas. A avaliação (neuropsicológica, psicopedagógica e
fonoaudiológica) também é importante e auxiliará no desenvolvimento da criança,
na medida em que proporcionará um maior esclarecimento das estratégias a serem
usadas com a criança, para que ela possa aprender da forma que lhe é
possível. Igualmente o acompanhamento se
faz muito importante para que a criança, não apenas os pais, possam entender e
perceber-se como agente do seu aprendizado, ter uma melhor percepção de suas
competências, tendo em vista a melhora na
sua auto-estima, bem como saber organizar estratégias de estudo, resolver
problemas e enfrentar dificuldades referentes ao aprendizado, isso, através dos
mais diferentes recursos. O apoio da família é fundamental, e somente quando os
pais de Ishaan souberam aceitar e entender as capacidades diferenciadas de seu
filho é que algo novo pôde ser construído, um novo relacionamento familiar
baseado na confiança mútua e no amor, que apesar de estar presente em cada um
deles, não manifestava-se plenamente pela não compreensão da realidade que os
envolvia.
O enfrentamento dessa questão pelo psicólogo, em uma instituição de
ensino, está além de seu conhecimento teórico, perpassa antes de tudo pela sua
sensibilidade, exige uma empatia para perceber o sofrimento do outro, uma
escuta apurada e um olhar diferenciado para enxergar as potencialidades de cada
um e não somente suas limitações.
Como citou Gonçalves (2012):
“A pipoca é um milho mirrado,
subdesenvolvido que, para alguém que não conheça, parecerá que não pode
competir com os grãos normais, graúdos. No entanto, aqueles grãos duros,
quebra-dentes, após passarem pelo poder do fogo, transformam-se em pipoca
macia”.
(Rubem
Alves- O amor que acende a Lua)
É um esforço constante para ver o milho tão mirrado transformar-se em
pipoca, ver o que não tinha beleza, transformar-se em pipoca macia. Ishaan era
esse milho que precisava apenas de alguém que acreditasse que ele podia ser uma
pipoca graúda.
O profissional de psicologia, precisa ser esse agente de mudanças,
alguém que irá escutar os pais, alunos, professores para desenvolver
estratégias que realmente se adéqüem as necessidades do estudante, assim através do apoio incondicional da escola
e da família e de outros profissionais ( fonoaudiólogos, psicopedagogos,
educadores, médicos, etc) é que se poderá oferecer a esse educando condições
para ultrapassar os obstáculos apresentados em seu percurso escolar. É
importante também favorecer o autoconhecimento desse aluno, pois somente a
partir disso ele aprenderá melhor e poderá ser melhor ajudado.
Em suma, o enfrentamento de tal situação no contexto escolar não pode
partir de ações isoladas do psicólogo, mas precisa pautar-se em um conjunto de
medidas que partam de diferentes profissionais. E o professor, que acreditou
até o fim na capacidade do garoto, pode ser um exemplo a ser seguido, pelo
profissional de psicologia, e não só por ele, mas por todos os envolvidos nessa
conjuntura. É preciso acreditar no próprio trabalho, acreditar na criança e
ajudá-la a acreditar em si mesma e isso não é simples, pois o diferente (nadar
contra a correnteza) nem sempre é compreendido, é mais atraente acomodar-se. Muitas
vezes as mudanças não são bem-vindas, assim fica fácil engrossar a fila dos que
julgam, difícil é juntar-se à ala dos que são julgados.
"Eu sei que não terei
sucesso. Tentar forçar os Resultados somente aumentaria
a confusão. Não será melhor desistir e parar de me
esforçar? Mas, se eu não me esforçar, quem o fará?"
(Chuang-Tzu )
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Abdias
Se pudesse
olhar-te de novo,
Minha alma não hesitaria,
Diante de tanta
presença,
Tua ausência não
se revelaria.
Nos olhos uma
seriedade
Levemente tecida
Ah, como queria,
Tua vida diante da minha.
Teus gestos são simples
Carregados de
rituais,
É o chapéu que
repousa na mesa
É a alma que
descansa em paz.
A dor da perda
Sabes bem o que é
A vida se despediu
Como quem nada
quer.
Tu és apenas um homem
Que não sabe mais
sorrir
A dor te enrijeceu
A morte te fez cair.
Ainda te lembro
pelos retratos
De cabeceira
Vejo a farda tão
bem passada
Lembro da vontade guerreira.
No momento
derradeiro
Não pudeste
escutar
A banda em cortejo
Anunciando tua partida.
Talvez só eu não
aceite
Porque temos que
ir
Você tinha muitas
razões
Para desistir.
Acabaram-se as
visitas
Já não vias mais a
vida
Acabou o
sofrimento
E o escuro da existência.
Sharline Dionízio
sexta-feira, 26 de abril de 2013
O quê da vida
Viver é uma tomada de consciência progressiva. Um
dia, muito tempo atrás, as flores eram outras, o brilho do sol queimava menos
minha pele, as tempestades pareciam mais desafiadoras, a lua que surgia tão
grande no céu realizava todos os meus desejos, a noite tinha um cheiro de
sereno proibido, as ruas serviam de palco para aventuras cotidianas e antes que
pudesse notar porque as pessoas não acreditavam na vida, ou porque os adultos
eram tão preocupados em explicar a vida, eu apenas sentia a vida como fazem os
pássaros, como fazem os sábios.
Eu
não pensava no que porventura não aconteceu ou no que iria suceder, eu
saboreava o momento que surgia despretensioso nas noites e dias que me eram
presenteados.
Não
sei onde se perdeu esse olhar que só enxergava a simplicidade do mundo.
A
vida tão vazia, no melhor sentido do termo, era um nada cheio de sonhos, um não
sei repleto de certezas.
E
diante das grandezas desse meu caminho eu tinha medo, mas não era angústia, era
fraqueza.
Os
cenários eram todos novos, recém chegada à vida eu temia os outros e os “eus”
que surgiam dos outros.
Quando
mirava o céu ele parecia dar ordens, infinito o seu poder sobre mim.
Sinto
que tudo que contemplava antes está aqui, mas não pode ser igual, o rio segue seu curso, o tempo muda as posições,
as estações se alternam e o olhar se submete aos limites do espaço e das horas.
Sharline Dionízio
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Só escrevo...
A palavra chega como um
refúgio.
Ainda que esteja dentro de
mim,
vem como significado externo,
com o propósito de fazer-me entender
o inteligível.
o inteligível.
Os medos, as perdas, os
diálogos internos.
A solidão dos pensamentos tão vãos,
tão desnecessários.
Assuntos sem solução,
vidas que estão à volta e não sabemos quem são.
A consciência tenta usar a razão,
mas o outro
que nos infere suas idéias nos ganha
como um conselheiro que nos atormenta,
e
ele quase tem razão.
Não sei se palavras resolvem,
talvez não!
O que faço então com os sorrisos não dados?
Com a demora?
Com a distância entre o que mostro e o que sou?
Entre os olhos que dizem e os olhos que
calam?
Entre os dedos que cruzam e a torcida infundada ?
O que faço com o grito guardado?
Com a lágrima que cai?
Com o choro que não sai?
O que faço com a preocupação
inútil?
Com os insultos?
O que faço comigo quando não mais acredito?
O que faço comigo quando não mais acredito?
O que faço com a fé?
O que faço com você?
O que faço no mundo sem você?
O que faço com o
pensar?
O que faço com o fazer?
O que faço com o que não faço?
Faço e não sei fazer.
.
Penso sem fazer, faço sem pensar!
Penso sem fazer, faço sem pensar!
Sou
mais que penso e menos o que sou.
Sharline Dionízio
quarta-feira, 27 de março de 2013
Entrelinhas
A fala mansa
que nos chega como grito de socorro e mesmo que estejamos dispostos a ouvir, há
um abismo no entendimento das suas melancolias. Quem pode desvelar o que a alma
não deixa encontrar? Onde suas
reminiscências esbarram em minhas lembranças, tão iguais e tão sozinhas?
Como os meus
olhos podem descobrir nos seus um pouco de esperança? Os modos, tão cotidianos,
tão simples, tão singelos, dizem sem dizer, e, no entanto sinto a intensidade
de suas desilusões nas palavras não ditas. No fundo de cada existência, há uma fonte
impetuosa que jorra no infinito de cada um. Sem saber a
vida corre, como um rio que não sabe por que vai, é assim que caminhamos sem
destino e sem reservas em busca de tudo que desconhecemos.
Não sei ao certo
da história que há por trás de suas lágrimas, me deixas conhecer somente o que
minha capacidade de comiseração pode compreender de um estranho, entretanto em
mim há também um choro de incapacidade.
Sharline Dionízio
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Razões...
Hoje quero falar...
Da saudade que aperta.
Das despedidas que causam agonia.
Quero falar do que as palavras não dão conta.
Do que os seus olhos me inspiram.
Do que a boca cala.
Do que o sorriso delata.
Quero falar em poesia
O que não falo só por falar.
Da vontade de dizer: fica
Quando digo: vá.
Do coração que dispara somente por você chegar.
Da enorme vontade de não me separar.
Dos momentos ao seu lado que excluem todos à volta.
Dos beijos sem comparação e abraços sem explicação
Dos pensamentos constantes, das mensagens reconfortantes
Dos telefonemas de surpresa que fazem a alma pular.
Quero falar da palavra “para sempre” que não ousava
citar.
Da metalinguagem dos nossos momentos.
Das crises de riso que me fazem chorar.
Quero falar...
Das mãos dadas, dos dedos dados, dos passos acertados.
Da chuva de beijos por nada.
De todas as formas lindas que me trata.
Da simplicidade dos nossos encontros
E de como valem a pena.
Da lua que nos embala.
Das lágrimas nunca de tristeza.
Dos sorrisos sempre de prazer.
Falar do bem que me faz.
E isso basta para nunca te esquecer!
Sharline Dionízio
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Siso *´¨)* ¸.•*¸.•*´¨).•
Mesmo que a sensatez seja o que de melhor
cultivo, há momentos em que ela me foge como um pássaro preso há anos que se vê
novamente solto. Ser sensato significa ter juízo, equilíbrio, prudência. É
isto que procuro: um equilíbrio entre as emoções e a razão. Esta, chega a roubar-nos os sentimentos, tão bem escondidos,
por motivos não tão claros.
Minha sensatez confunde-se com medo, isto
é, covardia, fraqueza, pavor. Será que dizer-me: és sensata! Causa-me orgulho
de ser quem sou?
Por vezes os sentimentos nos tiram a noção
de nossos limites, dos limites do outro. Agimos fora do controle e só depois nos
damos conta de algum erro.
O que mais nos torna insensatos: a vaidade,
o orgulho, o medo, a ganância, a paixão, entre outros desvarios da vida humana.
Sharline Dionízio
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