Sinto inadequação.
Vontade de ser como o pássaro que vi dia desses...
Não sabia que podia voar, mas ainda assim voava.
Passou dos meus olhos e seguiu solitário no céu.
E eu...fiquei com o espanto de quem não sabe o que é
voar.
Estava tão apressada.
Mas o pássaro não, não tinha pressa.
Pensei que ele era muito feliz.
Incondicionalmente alegre só por voar.
Deve ser bom ter o céu como caminho.
E o tempo inexistente.
Nenhuma distração, a não ser o azul que toma conta do
horizonte.
Sentir o vento das alturas e a liberdade da partida.
Queria mirar teu olhar, mas só vejo imensidão.
Ah, se a vida fosse um céu estrelado e um pássaro a dançar no ar!
Se meu amor fosse como essa vista de lua tão imensa!
Se pudesse dizer nem que fosse a metade do que minha
garganta sufoca!
Se soubesses como a vida me devora!
Como pensei em ser somente tua e o medo me puxando para
fora.
Como tua fala se assemelha aquele pássaro que a liberdade
leva!
Minha voz não passou de uma despedida.
E, no entanto, o que mais queria era tua boca.
O pássaro lá estava numa tarde tão comum...
E a minha vontade era de ser um.
Tal inadequação parece real e esbarra na minha ilusão.
O mundo que construo todos os dias me diz que não há
solução.
Olha para quem sou...
Não! Não enxergas que não sou pássaro?
Pensas que posso voar.
Inadequação.
Não nasci para o voo...
Firme estou na terra de todos e ao mesmo tempo de
ninguém.
Do mundo de quem precisa se afirmar.
E eu...
apenas querendo voar.
Autora: Sharline Dionízio

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