Sejam bem vindos!!

























quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Siso *´¨)* ¸.•*¸.•*´¨).•


     Mesmo que a sensatez seja o que de melhor cultivo, há momentos em que ela me foge como um pássaro preso há anos que se vê novamente solto. Ser sensato significa ter juízo, equilíbrio, prudência. É isto que procuro: um equilíbrio entre as emoções e a razão. Esta, chega a  roubar-nos os sentimentos, tão bem escondidos, por motivos não tão claros.
    Minha sensatez confunde-se com medo, isto é, covardia, fraqueza, pavor. Será que dizer-me: és sensata! Causa-me orgulho de ser quem sou?
    Por vezes os sentimentos nos tiram a noção de nossos limites, dos limites do outro. Agimos fora do controle e só depois nos damos conta de algum erro.
    O que mais nos torna insensatos: a vaidade, o orgulho, o medo, a ganância, a paixão, entre outros desvarios da vida humana.



  Sharline Dionízio

     

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O carteiro


Um sorriso foi o que me encantou.
Sorriso largo de quem não precisa ser simpático e foi o que me fascinou.
A mágica de um gesto, o qual  não havia utilidade, mas era tudo que ele podia ofertar.
Da não necessidade nasce o prazer de contemplar, de apreciar.
Sorrir é natural. Todo mundo faz!
Mas aquele sorrir tinha algo mais.
Acabara de se cortar, o sol estava ainda quente e as várias cartas em suas mãos,
denunciavam muito trabalho que ainda iria enfrentar.
Olhei seu sorriso e não pude deixar de reparar na gentileza de seus modos
E na forma que gastava suas horas.
Ainda tinha muitas cartas para levar aos seus destinos, mas ele não tinha pressa.
De apressada, somente eu, que apesar de não ter o que fazer, corria nas palavras,
Nos passos e ele apenas a me fitar.
Limpava seu braço do ferimento e perguntava meu nome com um sorriso cheio
de paciência.
Pensei que sua vida era muito doce, não por ser fácil, mas por conseguir
Sorrir de forma tão verdadeira, quando podia agir com indiferença.
A poesia está em seu olhar, está na lembrança desse sorriso, da lição que recebi
sem que proferisse palavra.
Sorriso que não sei explicar.
Não sei ao certo o que me provocou, mas certamente nunca deixarei
de sorrir mesmo que não haja motivos para tal.
Foi isso que ele me ensinou.

Sharline Dionízio






sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

<< Inércia >>



    Há dias solitários, quentes e vazios em que o vento passa somente por passar.
    São dias banais, distraídos e sem sentido.
    Tempo de um nada que se instala debruçado nas janelas da vida
    a esperar o sorriso de uma novidade corriqueira.

    Tardes frívolas banhadas por pequenas doses de descontentamento.
    Não há alegria em deixar-se ser.
    E é isso que faz o dia tão trivial: a vida
    levando teu dia e tuas tardes tão banais.

    O céu parece não se importar com o movimento que faz.
    Só eu a espreitar os desenhos dos aviões que vão riscando o ar.

    Os gritos de choro são crianças na calçada contrariadas pela mãe.
    Os pássaros que cantam são pequenas criaturas aprisionadas em gaiolas
    entoando a canção que não tenho coragem de cantar.


    Olho, sentada na calçada, um cão cheio de dores que se arrasta pelas ruas.
    Ele nem sabe que a vida o devora.
    Quis ser como ele, que a vida carrega aos poucos sua energia e ele nem ao menos
    Se importa. Eu, que nem cão sou, arrasto-me entre desatinos e
    tenho consciência da minha miséria.

    O sol faz seus primeiros deslocamentos de despedida.
    Nada muda no que sinto e vejo do dia que vai embora.

    Sharline Dionízio




quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A vida que passa...



  Os olhos não sabem em que exatamente fitar e ao que parece não há pressa para fixar-se em algo. 
Os sons daquela tarde costumeira são diversos e já tão naturais, que é difícil distingui-los do constante gemido que opera a cadeira de balanço em que está acomodado. 
A tarde é igual, o céu permanece com aquele azul claro que parece ser presente de Deus a quem não espera mais nada da vida. 
Passos despreocupados seguem à sua frente e vão desaparecendo à medida em que se distanciam, ficando apenas o rastro de gente.
 A cadeira vai para frente e para trás e a vida vai sendo levada, assim como o vento conduz delicadamente a folha que não se dá conta de seus movimentos. 
Não tem pressa mais para viver, aprendeu que a vida acontece sozinha. 
As conversas alheias à sua frente não o distraem, escuta como quem não se detém nas palavras, apenas no essencial. 
Os olhos alheios não se voltam para à calçada e ele pensa consigo que não tem mais atrativos para receber um olhar mais demorado.
Elege alguns passantes e pergunta-lhes a hora, como uma forma de dizer ao tempo que não tem medo do espaço que percorre.
As lembranças são constantes em sua mente, é o que move ainda seu interior...
os tempos de juventude. 
As mulheres que amou, as paixões findas e os dias de sofrimento que o faziam sentir-se vivo.
Tudo é passado?
parece que não, consegue sentir cada sensação, cada suspiro, toda paixão!
Ninguém sabe o que se passa em seu coração no momento em que está sentado na cadeira de balanço.
Prefere calar, ninguém tem tempo para escutar e certamente repetiria as mesmas histórias que seus filhos e netos já estão cansados de ouvir.
Mal sabem que tudo que fala é o que mantém sua vontade de viver ainda, vive disso: das lembranças.
Todo dia é a mesma coisa: Tarde ensolarada, cadeira na calçada e a vida que passa.



 Sharline Dionízio
     

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Ondas do mar...




Pergunto para o mar de onde vem tanta beleza?
Suas ondas me desafiam, sua majestade ofusca a vida.
Não obriga.
Manso e agressivo.
Não irrita.
  Hipnotiza-me.

Ensina-me  a amar
porque és fugaz.
E só quem se joga, como tuas ondas
Sabe como se entregar.

A correnteza luta para levar
a tristeza que teima em ficar.
Tua liberdade tão natural e forjada
por Deus, fala mais que as palavras
Que não sei pronunciar.

Só tuas ondas a levar meus pensamentos.
E meu corpo apenas sente o que não
Sei explicar.
São momentos que ficam e outros
Que teimas em levar.



 Sharline Dionízio






domingo, 7 de outubro de 2012

Brasil, um país de poucos!!!



Povo brasileiro, não os culpo pela descrença.
Não julgarei teus gritos de revolta.
Terei paciência quando cansados do descaso já não crês que há
Solução.
Em meio às circunstâncias tão adversas o que se houve são brados
que não fazem eco.
Nação tão subjugada pelo dinheiro, pela força dos poderosos.
Não os culpo por não terem mais a cor da esperança.
Não tens mais cor alguma.
Quando de longe vejo olhares que não fitam mais nada
Não ouso dizer que sois culpados pelo governo que tens.
Não é tua culpa.
Andas como quem não vai a lugar algum.
E há algum lugar para ir?
Tuas lágrimas me comovem, teus pés cansados paralisam os meus.
Teu discurso é de quem não acredita mais.
E eu, ainda posso dizer para não desistir, simplesmente por que teu sorriso me enche de esperança.
Quem sois senão povo que não sabe o que faz com o poder que possui?
És as mãos que escolhem, mas também és a vida manipulada pela ganância.
Não os culpo e nem poderia!
Quantas vezes teus passos buscaram a  única luz
 que  iluminava e no entanto voltastes sem nada!
Minha voz para ti não fala.
Somente ouves os gemidos do vazio de teu corpo cansado!
Teu chão é árduo.
Não houve saída para tua estrada, teu caminho foi roubado.
Queria poder dizer mais do que disse naquela fila da democracia forjada.
Não tens muito estudo, mas já me falavas da obrigação
De escolher quem não merece vencer.
Já me questionavas sobre minha esperança e eu só pude
Dizer que fé é confiar sem ver.
Mas, não sei por que falei de fé, para um povo
Que faz isso todo dia sem saber.
Fui para casa com aquela palavra na mente: Fim!
E aquela mulher também foi embora e levou
Minhas palavras que não servirão para nada.
Mas em mim ficou sua tristeza, sua revolta  de uma cirurgia
que nunca chega e  esse texto
Que agora escrevo baseado nas palavras que escutei.
Minha última frase foi: D. Lurdes tenha esperança a senhora vai vencer!
Autora: Sharline Dionízio






sábado, 22 de setembro de 2012

Acaso....



Sem querer o sol aparece de manhã...
As flores desabrocham sem  nenhuma intenção.
Sem querer a chuva cai numa tarde de primavera.
O vento entra pela minha janela.
Sem querer ouço  pássaros lá fora...
Sem querer o  céu resplandece de estrelas enquanto
a vida demora.
Sem querer  o mar se agita.
 a Lua se enche de glória.
Sem querer as montanhas se formam
Sem querer o frio me incomoda.
Sem querer  as árvores dão frutos e
Morrem.
Sem querer a vida passa e o tempo
Não volta.
Sem querer as palavras são concebidas
e o mundo começa.
Sem querer a paixão chega e a saudade
Com ela.
Sem querer vi sua chegada
Mas é por te querer demais que 
não quero sua partida.

Autora: Sharline Dionízio

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

_-Abstrato-_


 Talvez o avesso seja a melhor parte de mim.
Mas se nem o avesso for suficiente para a vida que precisa viver?
Se minha forma de olhar de dentro não for adequada para você?
Penso, penso, penso...
E isso é tudo que tenho para oferecer...
Pensamentos soltos, inconstantes e sem solução.
O que há dentro de mim, você não pode ver.
Mas, esse eu  tão interno, avesso...
te procura nos rastros de palavras escritas.
A distância do meu corpo para o teu, evidencia nossas incapacidades.
E lá,  olhando o mar não pude ver nenhum horizonte para trilhar.
Tenho alma, espírito em forma de poesia, em moldes de tristeza.
E tua forma de ser, diz ao mundo apenas de um olhar, um sorriso
Que não espera a alma dizer. Apenas diz. Vive e sente como quem não
Repara no amanhecer, no cantar, na paisagem, no não dito, nessa distância.
Eu...  tão eu...tão não-eu e nunca como você...com você e sem você..

Autora: Sharline Dionízio

domingo, 2 de setembro de 2012

Em mim...



Sinto inadequação.
Vontade de ser como o pássaro que vi dia desses...
Não sabia que podia voar, mas  ainda assim voava.
Passou dos meus olhos e seguiu solitário no céu.
E eu...fiquei com o espanto de quem não sabe o que é voar.
Estava tão apressada.
Mas o pássaro não, não tinha pressa.
Pensei que ele era muito feliz.
Incondicionalmente alegre só por voar.
Deve ser bom ter o céu como caminho.
E o tempo inexistente.
Nenhuma distração, a não ser o azul que toma conta do horizonte.
Sentir o vento das alturas e a liberdade da partida.
Queria mirar teu olhar, mas só vejo imensidão.
Ah, se a vida fosse um céu estrelado e um pássaro a dançar no ar!
Se meu amor fosse como essa vista de lua tão imensa!
Se pudesse dizer nem que fosse a metade do que minha garganta sufoca!
Se soubesses como a vida me devora!
Como pensei em ser somente tua e o medo me puxando para fora.
Como tua fala se assemelha aquele pássaro que a liberdade leva!
Minha voz não passou de uma despedida.
E, no entanto, o que mais queria era tua boca.
O pássaro lá estava numa tarde tão comum...
E a minha vontade era de ser um.
Tal inadequação parece real e esbarra na minha ilusão.
O mundo que construo todos os dias me diz que não há solução.
Olha para quem sou...
Não! Não enxergas que não sou pássaro?
Pensas que posso voar.
Inadequação.
Não nasci para o voo...
Firme estou na terra de todos e ao mesmo tempo de ninguém.
Do mundo de quem precisa se afirmar.
E eu...
apenas querendo voar.

Autora: Sharline Dionízio







quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Quando as flores nasceram?

 
 Não vi o desabrochar das rosas que um belo dia amanheceram em meu jardim.
   Admirei o orvalho que delicadamente pousou em tuas pétalas tão indiferente a
   minha solidão.
   Senti  tua paz e vi que minha melancolia em nada assemelhava-se a tua alegria
   de rosa que só não é maior porque não sabes que assim és.
   Penso que não és só bela. Há uma magia intrínseca ao brotar de tua vida, bem maior que
   a minha existência.
   Todos te querem  colher e alguns oferecem-te como presente de paixão
   Só eu que não me dou  inteiramente a vida que grita para mim.
   
   FLOR, COMO ÉS FELIZ!
   Qualquer uma mais que a mim. 
   Não te preocupes comigo. 
    Só quero contemplar-te porque és o que não posso ser: livre de pensamentos ruins. 

    Autora: Sharline Dionízio